Livro Luxuoso x Livro Eletrônico – Mas, e o simplesmente livro?

Posted by Adriana Gomes on 07/01/2014 in Uncategorized |

Leitor Digital

Aqui nos Estados Unidos, livros impressos estão se tornando artigos de luxo. Edições especiais, não apenas de capa dura, mas em caixas lindas, são exibidas em pontos de prestígio nas livrarias que ainda seguem abertas. Como eu adoro uma livraria, faço questão de comprar cópias impressas dos meus autores favoritos, sabe, aqueles que a gente sabe que vai reler. Porém, há aqueles que consideram livros impressos, que não sejam elevados à categoria de obra de arte visual, uma perda de tempo, e principalmente de dinheiro.

O jornalista Daniel D’Addario da revista americana Salon está entre muitos que pensam assim. Em um artigo recente ele destaca a importancia de livros criados por mestres em artes visuais, e questiona o valor de se comprar um livro impresso, que seja simplesmente baseado em palavras, dizendo: “Se um livro não é envolvente e extremamente visual, qual a validade de se comprar uma cópia em papel?”

Assim, de supetão, seu argumento desconsidera o valor da experiência do toque, e dos rituais de leitura desenvolvidos em séculos de relacionamento entre nós humanos e o papel. O cheiro do livro novo, o folhear das páginas, as visitas a um bom sebo de livros, ou a uma livraria bem surtida, o marcador de páginas, o barulhinho gostoso das páginas sendo viradas lentamente, conforme a gente vai terminando o último parágrafo e já quer saber o que vem pela frente. Claro que eu aprecio um livro com arte impecável, mas não preciso ter uma edição ultra sofisticada nas mãos para desfrutar do prazer que segurar um livro impresso me proporciona, ou da prosa bem escrita.

Possuo um Kindle, que considero extremamente conveniente, principalmente quando não vou ler em casa; como quando vou encarar espera no dentista, ou na aula de ballet das crianças, ou quando viajo, e não quero carregar grandes volumes. Tenho cópias digitais em abundância, mas não acredito que uma tecnologia anule a outra. Os próprios engenheiros de software responsáveis pelas plataformas que nos oferecem os livros digitais já descobriram que nossa relação com os livros tem uma carga emocional inegável, e como o próprio D’Addario coloca em seu artigo: “O formato digital, que tinha originalmente prometido todo o tipo de funcionalidade está agora bastante contido, semelhante a um livro real. Adeus comentários públicos sobre livros, elementos multimídia, e links. Olá, possibilidade de cópias digitais autografadas pelos autores, emulando a primeira edição assinada de outrora.”

Nós leitores não estamos interessados em ilustrações pulando no meio das página, ou botões eletrônicos com links, ou qualquer tipo de alegoria que interfira com nossa imersão na estória, o que desejamos são palavras que nos transportem para outra dimensão, a da nossa imaginação. Palavras que nos tirem das nossas realidades de contas a pagar, de horários a cumprir, do transito das seis da tarde. Como leitores, queremos nos sentir em comunhão com nossos autores favoritos através de suas palavras. E queremos poder dizer: “Comprei a cópia autografada.”

Sem contar que o livro físico não fica sem bateria bem quando você chegou naquela parte mais emocionante da estória, e está no meio de um aeroporto, e longe de uma tomada.

 

Lembrete: Comprar recarregador portátil para o Kindle.

 

Leia aqui a tradução do artigo de A’Dattario na íntegra, ou clique no link abaixo para o artigo original em inglês:

Domingo, 29 de Dezembro de 2013

O ano em que o livro se transformou em objeto de luxo

Este mês, o The New York Times informou que os recursos exclusivos para e-books , em grande parte tinha sido abandonados. O formato digital, que tinha originalmente prometido todo o tipo de funcionalidade está agora bastante contido, semelhante a um livro real. Adeus comentários públicos sobre livros, elementos multimídia e links. Olá possibilidade de cópias digitais autografadas pelos autores, emulando a primeira edição assinada de outrora.

Como os livros digitais estão se despindo para parecerem cada vez mais com os livros “de verdade”, os livros físicos, de verdade, estão ficando cada vez mais suntuosos e fetichistas. Embora informalmente, capas de livros parecem estar constantemente melhorando em qualidade estética. No fim de 2013 os produtores de TV e cinema J. J. Abrams e Doug Dorst lançaram “S”, um livro cheio de cartões inseridos que promete uma experiência multimídia imersiva, e em 2012 o cartoonista americano Chris Ware lançou “Construindo Estórias”, uma caixa contendo 14 volumes discretos que podem ser lidos em qualquer ordem, que a revista Times elegeu um dos dez melhores livros de ficção do ano.

Mas esses exemplos dos últimos dois anos indicam um caminho a seguir para o livro impresso – como um objeto de luxo. Pois as margens, digo as financeiras, para livros digitais são muito mais amplas do que para livros impressos – eles são muito, muito mais baratos para se produzir do que livros físicos, e sumariamente custam menos – não há nenhuma razão convincente, para qualquer pessoa com um leitor eletrônico gastar mais dinheiro com uma cópia em papel de um livro que não seja o prazer estético.

E, claro , o prazer estético é o que os livros tem de melhor. Mas a época em que as editoras podiam restringir significativamente a venda de seus livros em canais digitais se acabou. Se recusar a vender um livro on-line, a despeito de quão menores são os lucros vendendo através da Amazon do que em lojas físicas, significa manter-se fora de um fluxo de receita que acabará indo para livros de editoras concorrentes. E cada vez mais os consumidores, acostumados a ler em telas, estão usando leitores eletrônicos, e menos lojas físicas existem para vender livros em primeiro lugar. Se um livro não é envolvente e extremamente visual, qual a validade de se comprar uma cópia em papel?

The year the book became a luxury object

 

 

 

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